quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Massa estúpida controlada

É engraçado notar como são feitos os controles atuais de massa. Voltarei aqui a falar do meu maior inimigo (imaginário ou não, seja lá qual for a sua opinião a respeito): a Igreja.

Isso ai, está no singular mesmo, porque me refiro assim à todas elas. Como vivemos em um país em que a influência católica é ainda muito grande na população, infelizmente, meu exemplo de estupidez vira novamente a partir dessa instituição.

Hoje saiu no jornal impresso e na mídia televisionada a seguinte notícia:

"Deputado é afastado da função de padre por defender uso da camisinha. Luiz Couto também é contra a discriminação dos homossexuais. Proibição veio após declarações dele terem sido publicadas em um jornal."

E em entrevista ao jornal o arcebispo da Paraíba, dom Aldo Pagotto ainda disse:

“Lamentavelmente, declarações sumárias e ambíguas a respeito do uso de preservativos, união de homossexuais são posições diametralmente contrárias à orientação oficial do Vaticano. Isso é intolerável”.

Numa das únicas e raras vezes que um padre diz algo correto e realmente importante a cerca do assunto, ele é rechaçado. E não me venha falar que eu só digo isso porque é a minha opinião. Os especialistas em saúde dirão o mesmo. Quanto aos homossexuais... Porque eles não podem ser da maneira que são? Qual o grande problema com eles ou qual o grande medo que os religiosos têm deles? Isso ninguém consegue me explicar. Depois a minha intolerância com as religiões que é considerada ruim. E eu nem vou à televisão dizer que é um absurdo eles existirem! Também não consigo entender.

Ora, faça-me o favor. Intolerável é uma instituição que tem, infelizmente, o poder de influenciar milhões de pessoas ser veementemente contra o método mais barato e seguro de contracepção e de evitar a contração de doenças sexualmente transmissíveis. Essa posição atualmente é intolerável, incoerente, retrógrada, pra não dizer burra. As pessoas fazem sexo a qualquer momento. Qual o problema disso? NENHUM! O ideal seria uma grande ‘suruba’ o tempo todo! Por quê? Ora, sexo é bom!!! Precisa de mais algum motivo?!?!?

A grande massa é ignorante e não sabe discernir o que o ‘padreco’ fala para eles, seja sobre a criação do universo ou sobre como ajudar a vovozinha. Me incomoda e me revolta ver que a instituição que se diz filantrópica e de caridade queira, no final das contas, apenas o dinheiro e o poder que vem da credulidade dos seus fiéis, ao invés de orientar as pessoas de forma correta.

É engraçado também ver como o governo não proíbe esse tipo de divulgação de má orientação na mídia, pois o ministério da saúde vive tentando educar as pessoas, da forma correta, sobre as doenças sexualmente transmissíveis e os riscos e problemas causados por gravidezes indesejadas.

O argumento disso provavelmente vem do fato de que ‘todos tem o direito de possuir sua própria orientação cultural, religiosa, blá blá blá...’. O problema disso é: quem escolhe a sua própria religião ou filosofia de vida? Quase ninguém! Aqui no Brasil, as pessoas nascem e são levadas ao catolicismo por seus pais, que desde pequenos os levam à igreja pra assistir à missa. Você tem dúvida de que as crianças prefeririam continuar brincando a ir aquele local sacal onde não podem correr, gritar e serem elas mesmas? Eu não tenho.

Qual dessas crianças escolheu sua orientação religiosa? Nenhuma.

Então está errado desde o início. Neste sentido, o Ministério da Saúde, o Ministério Público ou sei lá mais quem deveria proibir e coibir esse tipo de desorientação, que no final das contas só gera mais problemas pro gorverno, que é laico, e que com isso só gasta mais dinheiro pra cuidar dos miseráveis, das meninas que tiveram problemas ao tentarem o aborto clandestino e por ai vai....

Qual a solução? Educação!

Com educação todos se respeitam e todos seguem a orientação de quem entende de saúde – médicos e profissionais da área –, e não de dogmáticos e crédulos em fábulas que não ajudam em nada a vida atual das pessoas.

Saudações (somente às mentes livres e pensantes)



sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Laico

Só pra contar um causo...


No dia do casamento de dois amigos de ‘quems’ fui padrinho, eu havia chegado cedo e já os aguardava na igreja, conversando com outra amiga. Eis que do a quem do além, surge quem?!? Uma beata! Logo pensei:

“Fu...! Lá vou eu ter que escutar um ‘blá, blá, blá’, ou pior, ela quer me converter.”


Para minha sorte (e dela também) ela era muito educada e simpática (uma vovó muito legal). Porém, queria que nós assinássemos um abaixo assinado para que o ensino religioso fosse institucionalizado nos colégios municipais, assim como a ‘excelentíssima senhora ex-governadora’ Rosinha ‘Marotinha’ fez nos Estaduais. Aliás, ainda me pergunto: isso está ainda valendo? Nenhuma pessoa sã da justiça vetou isso não?


Antes que vocês sintam pena da senhora, fiquem tranquilos, fui muito educado com ela, à altura do terno e da gravata que eu usava no dia. De qualquer forma, a melhor coisa foi a cara de espanto dela quando lhe falei que eu era terminantemente contra essa idéia. Ela me perguntou o porque disso. Eu a respondi que os colégios do governo deveriam ter ensino laico, e que as famílias que assim desejassem que arcassem com a responsabilidade de ensinarem alguma ou nenhuma religião a seus filhos.


Disse ainda que o ideal seria que cada pessoa escolhesse depois de uma certa maturidade intelectual (que penso acontecer depois da ‘aborrecência’) o que deseja seguir ou não, sem que haja imposições de dogma às crianças, criaturas intelectualmente frágeis e influenciáveis.

Pedi desculpas por não poder atender ao pedido dela, e ela se sentiu satisfeita, saiu com um pequeno sorriso (acredito que somente pela minha educação ao explicar meus motivos), mas fiquei com a ligeira impressão dela ter claro em sua mente que eu era na verdade um maluco!!!!


Se ela é beata o suficiente para ficar pegando assinaturas na porta da igreja, imagino que o raciocínio dela esteja muito comprometido por sua ‘beateza’. E detalhe, assim como a Rosinha ‘Sapequinha’ deve ter defendido ensinamentos evangélicos nas Escolas Estaduais, essa senhora defendia o ensino religioso Católico. Qual o melhor? Quem tem razão? Imaginem se advogássemos a favor do ensino de Candomblé? Seria capaz de criarmos uma guerra não é? Mas não vou me ater nisso... claramente estão todas, elas, erradas.


O que a senhora não compreendia e o que a ‘malandrinha’ finge que não entende é que as pessoas devem escolher sua religião, filosofia de vida, etc., assim como escolhem as suas roupas que vestem, o carro que vão comprar, seus namorados, maridos, esposas e namoradas e outras coisas em suas vidas. É na verdade um "livre arbítrio" às avessas ensinar desde pequeno à uma criança um mito que explica o mundo de uma forma literária sem que elas tenham a capacidade de perceber que é apenas um mito. Resultado: O mito vira verdade na cabeça delas! O controle de massa, a lavagem cerebral, as ‘estupidezes’, está tudo feito e replicado aos montes. Uma situação idêntica seria a de ensinar uma criança desde bem pequeno a comer insetos. Quando ela crescer e perceber o que são os insetos e o que as outras pessoas comem e o que ela come, vocês acreditam que ela achará estranho e ruim comer insetos? Claro que não, não é verdade?! Ela sempre comeu insetos. Se acostumou com o gosto e com as patinhas ainda se mexendo na boca, antes das primeiras mordidas fatais.


Se você sempre ‘engoliu’ os ensinamentos religiosos na sua escola, e se eles viraram verdade, nunca ou quase nunca (para os que percebem probabilidades nas coisas) achará algo de estranho ou errado neles, achará errado não ‘comê-los’...


Sugestão do dia: vomitem!!!


abs.

Baseado nas idéias dia 29-07-05.

Essa coisa de Natal

Todo ano é a mesma coisa!

Vai chegando o mês de dezembro, o comércio vai se aprontando... muita gente nas ruas, muita gente sendo contratada para a febre de mais um Natal. Este ano não foi diferente.

Aliás, foi sim! Parece que mais pessoas estiveram nas ruas comprando, gastando e perdendo horas de suas vidas no inferno que a cidade se transforma nessa época. Mas não se preocupe, o inferno de que falo não é aquele do chifrudo, com chamas por todos os lados... é um bem melhor (se é que podemos considerar assim), de engarrafamentos não somente nas ruas mas dentro dos centros comerciais (as revolucionárias bem-feitorias dos shoppings na vida do pacato cidadão carioca).

Nesta época do ano todos renovam os seus votos de solidariedade, amizade, amor, dentre outros sentimentos louváveis, com os donos dos estabelecimentos comerciais. Ninguém se importa com o trânsito parado, horas de engarrafamentos e toneladas de poluição sendo jogadas no ar que respiramos. Afinal de contas é Natal ora bolas!

Chegando o dia, mais irritante que ser cobrado por não dar a caixinha do zelador, carteiro, entregador de gás, frentista, gari, atendente das lotéricas, etc., é assistir as incessantes reportagens com a participação “exclusiva” do Papai Noel em TODOS os shoppings da cidade, a todo o momento, durante todo o dia 24. Mas quem liga? Afinal de contas é Natal! E este é o “espírito Natalino”!

Renovando as esperanças todos são impelidos a desejar a todos uma boa noite, com muita fartura, felicidade e outros adocicados sentimentos natalinos. Como acreditar em um sentimento que só é aflorado após horas de farras consumistas estimuladas pela frondosa máquina “econo-capitalista” de bons flúidos? Acredito somente no William Bonner que não passa um dia sequer sem me desejar boa noite! Esse sim quer que eu durma bem...

Este ano farei diferente. Não desejo nada a você que lê essa estupidez aqui. Fique como está. Se estiver bem, pois bem, continue. Se estiver mal, lá pelo dia 27 volto a desejar tudo de bom pra você como sempre faço o restante de todos os dias de todos os anos.

Abs.
escrito dia 24-12-2007.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Sete Palmos

As tradições são interessantes, não é mesmo?
Compras de natal; compras de ano novo; dias das mães; dos pais; da consciência negra; do joanete curado... e por ai vai.

Todos esses dias e comemorações são muito importantes para a sociedade: ajudam muito a todos; principalmente a mover a economia.

É claro que todos podemos ter nossas tradições e/ou premissas, defeitos e/ou superstições, mas algumas são nitidamente estupidas. Embora isso possa parecer somente a minha opinião, não creio que seja. Tradições familiares e/ou pessoais são bastante pontuais e não costumam influenciar de forma incisiva a vida de outras pessoas. As tradições econômicas modernas já não são exatamente isso, não é verdade? Até que ponto elas influenciam a vida das pessoas, e se é de forma positiva ou negativa é discutível, como a maioria dos meus amigos (eu tenho certeza disso) irão dizer.

Portanto, salvo às estupidezes individuais e coletivas que podem existir em cada ritual, pagão ou cristão, semita ou pegelança, ou mesmo futebolesco, existem algumas campeãs disparadas.

Uma das mais idiotas são os cemitérios. Sim! Montes de concreto feitos para guardar ossos. Querem maior estupidez que isso? Difícil de encontrar. Mas, como muitos dos meus amigos dirão: é a crença ou ritual ou tradição de cada um...

Paciência então certo? Errado! Em nosso mundo atual, moderno, dinâmico e globalizado, uma cidade grande que se preza não deveria possuir cemitérios enormes no seu centro. Além de ocupar um grande espaço da cidade, que carece de espaço, para nada (gosto de frisar bem isso), aqui no Rio todos eles são mal conservados. São um espaço enorme jogado fora, que não serve de um espaço de lazer, não são parques agradáveis onde você poderia passear e nem tampouco trazem bem estar a ninguém... só aos mortos, mas isso também é discutível!

Além de tudo isso, como são 'administrados' pela máfia da Santa Casa de Misericórdia, duvido também que paguem impostos ou algum tipo de royalties pela concessão do duvidoso serviço. Mas nem vou me ater nisso...

Uma alternativa inteligente a essa burrice seria a cremação de todos os mortos: em uma Usina de eletricidade!
Sim, porque não?! A crise está ai. Muitas corpos são cremados e viram o quê? Cinzas? Também, mas grande parte vira CO2 na atmosfera. E o pior: à toa!

Enterrados nesses locais os corpos não servem para nada. Nem adubo viram. Aliás, esse seria o destino mais limpo de todos. Já pensaram em uma grande compostera cheia de bundinhas geladinhas?
Nos túmulos os corpos só apodrecem e apodrecem seus caixões (que duvido que sejam feitos com madeira certificada também). Se todos fossemos cremados e virássemos 'lenha' em uma usina certamente uma crise energética estaria muito mais longe do país ou das cidades grandes. Melhor: se tudo virasse adubo de áreas reflorestadas certamente encontraríamos um fim melhor ou uma utilidade para nós depois de mortos.

Não cabe a cidade compactuar com tradições de fundo religioso e estúpido (atualmente falando). Mais produtivo seria uma decisão e uma mudança de atitude frente aos problemas ambientais que estamos sofrendo e que tendem a piorar.

abs

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Todo dia

No fim de semana quebrei a rotina de trabalho que vinha praticando. Não que isso seja fácil. Não que definir, na minha vida, o que é trabalho seja fácil também. Mas o que era certo era que quebrar a minha ‘não rotina de vida’ era o objetivo.

É claro que a pulga (como chamo meu lado que não me deixa parar de trabalhar) não queria me deixar em paz. Ela deu-me bastante trabalho, fiquei me coçando, querendo ler alguma coisa, escrever algo, produzir, inovar, qualquer coisa. Mentalizei então:

– Não, dessa vez não.

Dessa vez a pulga da preguiça ganhou a batalha e fui pra Itaipuaçú (casa de praia é bom pra distrair a cabeça) e fiquei – perdão pela expressão – literalmente coçando meu saco enrugado (fenômeno provocado pelo tanto de tempo que fiquei dentro da piscina). O porquê disso? O porquê do quê? Rotina ou não rotina, eis a questão. Eu também me pergunto isso quase todo dia.

Era comum que eu pensasse:

– Ora, eu tenho uma vida de trabalhos rotineira sim. Pausa longa, pensamento foge, bate na lua e conclui: mas nunca me sinto realmente nela.

Todo dia planejo milhares de coisas para fazer. Pergunte-me se consigo? Claro que não. Ir para a academia, tomar banho, ir para a Universidade e ao laboratório, voltar para casa é o previsível de meus dias. Mas quando adentro o laboratório, parece-me que sou sugado pra outra dimensão, a da imprevisibilidade total. Sou capaz de sentir-me como um elétron lá dentro. Alguns dias, fazer as simples tarefas pensadas e planejadas é extremamente difícil. O motivo? Sim, é fácil de perceber ele. Muitas pessoas ao mesmo tempo, muitas perguntas, muitos pedidos, muitos textos que aparecem para serem lidos. Em alguns dias, você é capaz de conversar e fazer de tudo um pouco com todo mundo, menos as malditas tarefas planejadas. Seria essa uma nova rotina? A ‘desrotina’? Me pego autoquestionando também à respeito.

Resultado: todo dia é previsivelmente imprevisível. Por vezes a falta de rotina e a ‘desrotina’ me irritam, pois algumas coisas nunca são alcançadas com facilidade (principalmente as que estão nas estantes mais altas).

O lado bom disso tudo: as cobranças são menores; na universidade tive idéias maravilhosas e mirabolantes sobre os mais diversos assuntos; as conversas que hora atrapalham, hora me tornam uma pessoa mais culta e capaz de enxergar, entender e aceitar diferentes formas de olhares, rotinas e, quem sabe, ‘desrotinas’ da vida.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Ateu, eu?!

Este texto de um querido amigo resume de inigualável forma o que penso a respeito do assunto. De maneira objetiva e muito bem humorada Marcelo conseguiu satirizar com sucesso uma questão importante em nossa sociedade. Todos os créditos a ele. Vale a leitura.

"É triste notar o quanto os ateus são discriminados. Tal preconceito fica evidente nas mais diversas situações. Experimente se declarar ateu no primeiro jantar na casa de sua namorada. No mínimo não lhe servirão a sobremesa. Candidate-se a prefeito de sua cidade e deixe escapar que é ateu. Nem sua mãe votará em você.Devido ao preconceito, essa classe, que é muito maior do que se imagina, acaba por se fragmentar. Muitos se escondem atrás de declarações vazias:

- Eu não tenho religião, mas acredito em Deus.


Ou pior:

- Eu acredito numa força do bem.

Fenômeno parecido acontece com outros segmentos marginalizados.
Alguns negros quando perguntados sobre sua cor respondem moreno ou pardo; já pobres se definem classe média. É uma maneira de se excluir dos excluídos. Para levantar a auto-estima dos ateus mencionarei algumas de nossas características típicas:

Como qualquer outro indivíduo, o ateu se depara com mistérios e
perguntas sem resposta. São questões filosóficas, logo abertas, nas quais ele pensa. A diferença é que todas as explicações lhe parecem simplórias e furadas, ou seja, não é fácil convencer um ateu.

Como qualquer outro indivíduo, o ateu sente culpa. A diferença é
que essa culpa é oriunda de sua consciência e senso de justiça. Se um ateu é bom, isso não se deve a nenhum interesse de alcançar vida eterna ou outra recompensa divina, mas sim de sua preocupação com o outro. Resumindo somos mais conscientes e menos interesseiros.

Por falar em vida eterna, dia desses um amigo tentava me convencer da existência do céu. Resolvemos por fim apostar, sendo que levei clara desvantagem: se eu estiver certo, não vou poder zombar dele depois de morto.

Levei um tempo para entender quando me disse que de
qualquer maneira não nos encontraríamos. Segundo ele devido ao meu ceticismo, não tinha lugar para mim no céu. Como só existem duas possibilidades, adivinhem o que me sobrou. Tentei apelar dizendo que éramos amigos mas não adiantou: "regras são regras" disse ele.

Nesse momento percebi mais duas virtudes dos ateus. Somos mais
igualitários e flexíveis. Na verdade percebi um privilégio. Não preciso conviver com a idéia de que meus amigos e entes queridos vão para o inferno. Depois de mortos, vamos todos para o mesmo lugar: o cemitério.

Já chega.
Em breve estarei vendendo camisas 100% ateu.
Um abraço e fiquem sem Deus.
Marcelo Tavares. "
(escrito dia 13-02-05)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Marquise

Os escritos das ruas são coisas particulares e muito interessantes. Não estou falando de autedores (aportuguesando. ..), cartazes ou placas de estabelecimentos, embora estas últimas por si só sejam particularmente lúdicas e talvez merecessem uma crônica só para elas. Na verdade me refiro a coisas mais populares e democráticas espalhadas por quase todos os prédios da cidade: as pichações.

Alguém conhece modo mais prático e eficiente de atingir milhares de pessoas sem custos publicitários? Acho que não existe. Através desse meio de comunicação, provérbios, contestações, manifestações contra qualquer pessoa podem ser feitas sem conseqüências ou repressões judiciais *.

Dia desses estava voltando para casa de ônibus quando minha atenção foi capturada por um dizer muito interessante na fachada de um prédio ao lado do Elevado Paulo de Frontin:

– O que você faria se não tivesse medo?

Este é um exercício interessante de fazer. Não subir na marquise do prédio para escrever isso, mas sim pensar no que faríamos se não tivéssemos medos, principalmente porque não fazemos isso com freqüência.

– Você tem medo de quê? – Essa deveria ser a primeira pergunta, pois devemos conhecer primeiro o nosso oponente antes de tentar descobrir como seríamos sem que ele existisse.

Aqui chegamos a um ponto bastante pessoal e amplo. Muitas pessoas responderiam que têm medo do Lula, Garotinho,.. ., outros diriam que têm medo da Mineração Rio Pomba Cataguases Ltda.,..., outros diriam de assaltos, traficantes; um agricultor poderia ter medo de chuvas em demasia para não perder a colheita, ou falta de chuvas para não perder o que fora plantado.

Já eu tenho um medo simples de lutar contra, mas trabalhoso para que ele não volte a me atormentar: tenho medo de ser inútil! Isto mesmo. Me preocupo com a utilidade de tudo o que faço, com o sentido das coisas feitas por mim e pelas pessoas que me cercam. Das preocupações referentes ao trabalho, obviamente me vejo de frente com as questões ambientais, embora não esteja preocupado em manter-nos aqui por muito tempo e sim fazer com que as outras espécies resistam a nós e continuem aqui depois que não estivermos mais.

Mais ai, a conversa cai para o objetivo de vida de cada um. E não vou discutir isso aqui. O meu objetivo é produzir; o dos outros não dá nunca direito pra saber, embora ache que o dos evangélicos da Renascer em Cristo seja de ser otário, bocó e trouxa.

Acho que no fim das contas se não tivesse medo assistiria todos os dias a seção da tarde depois da minha sesta...

E você?!

Abs.

* é provável que todos de nós já tenhamos vistos alguns exemplos mais conhecidos da fúria publicitária das pichações, como os dizeres: “XUXA É PUTA!” e o famoso “QUÉRCIA VEM AÍ”, ou ainda o polivalente “SÓ JESUS EXPULSA DEMÔNIOS DAS PESSOAS!” (que com umas duas vírgulas e um ponto pode ser escrito e lido de uma infinidade de formas, dependendo da interpretação do autor e do leitor).

(escrito dia 18-01-2007)

Que a escrita esteja convosco...

Vida de biólogo é difícil. Bom, pelo menos a minha é.

Não que a vida das outras pessoas não seja. Mas a do Biólogo, e porque não do cientista em geral, é bastante complicada.

Será que ninguém percebe que pensar é demasiado cansativo?

Transformar dados, muitas vezes números, em informação e traduzir isso em um sentido biológico é trabalhoso e requer total imersão de mente e corpo.

Um dia típico de um biólogo, ou de qualquer outro cientista, que esteja escrevendo algum manuscrito poderia ser resumido em:

Pensa, pnesa, psnea,.....pensa. .... escreve, evcerse, ecsvere.... pensa, pnesa... ect. E assim por diante...

– Mas o que você está escrevendo? Todos perguntam.

– Ah, meu mais novo manuscrito diz respeito à propensão aguda das patas elíptico-cônicas de um inseto de 2 mm de tamanho!

– Ah, tá..... Respondem.

Este “ah, ta” é o mesmo que: “O quê?!”; ou ainda “Pro... o quê?”; ou pior “insetos.... ah, sim... eu já vi um”. É sinceramente irritante quando as pessoas fazem esse tipo de observação quando você biólogo (ou cientista) conta com o que está trabalhando (obviamente com a empolgação característica de todo e qualquer cientista).

Conclusão: você escreve, evcerse, ecsvere, mas ninguém sabe o que você está escrevendo e nem pra quê.

E a facada no peito: Se você, cientista, ficar em casa trabalhando, é vagabundo! É isso ai, te reduzem a um simples "faz-nada" qualquer! Dizem na maior cara-de-pau que você não faz nada. Ora que atrevimento!

Dos desconhecidos nem ligamos. Dos amigos engenheiros, executivos estressados e médicos até entendemos. Mas o fim dos tempos está quando a família se volta contra nossa imersão no conhecimento.

Um dia desses (do ano passado) um amigo de laboratório contou-me que um dia sua esposa liga para casa (local de trabalho dele) e pede para que ele fosse ao supermercado comprar tomates secos porque estava na promoção.

– O que é isso?! Comprar isso agora?! Estou escrevendo.. . disse ele.

– Ah, querido... não custa nada, você está o dia todo em casa.

Realmente um desrespeito completo com o pesquisador que luta para que uma enxurrada de pensamentos produtivos, coerentes e inovadores saiam de sua cabeça e invadam o papel (ou tela do computador na era da informática).

A propósito, hoje tem "Os Goonies" na Seção da Tarde... alguém vai ver também?

(escrito dia 05-01-2007)

Re-“encarnação”

Se coisas lúdicas e fantasiosas como vidas passadas e vidas futuras fossem realmente possíveis, e se, além disso, pudéssemos escolher quem gostaríamos de ser, quem você escolheria? Que tipo de pessoa? Alguma personalidade em especial? Algum destaque mundial... inteligência fora do comum? Prêmio Nobel (se ainda existir...)?

Estive pensando hoje:

- Não gostaria de ser ninguém muito famoso; nem ser mega-inteligente; ou ainda, desejo menos ainda fazer alguma coisa de muito útil para toda a humanidade (não acho realmente que ela mereça), que mudasse realmente o mundo e a realidade desse mundo em que eu vivesse e a realidade das futuras gerações.

Fiquei pensando um pouco e logo descobri:

- Quero ser mentiroso! O maior mentiroso!

Parece ilógico, mas o maior mentiroso poderia transformar tudo o que você imagina ou jamais imaginou em realidade. Bastaria imaginação a ele.

Pensei logo:

- Com um pouco de lábia poderia convencer qualquer pessoa de qualquer absurdo que minha mente pensasse. Seria realmente bom... ah, e o melhor: Sem nenhum esforço!

Satisfeito de minha auto-descoberta fui tomar um copo d’água quando percebi o que possuía pensamentos realmente pouco ambiciosos em minha mente atual.

Com a mente mais mentirosa do mundo poderia me tornar num político bem sucedido, enganando todos os meus eleitores durante meu mandato, inventando mais de 10 mil obras e similares como produtos irreais de meu mandato imaginário; ou ainda, simplesmente aproveitar 55 dias de férias por ano, recebendo passagens aéreas, auxílios infinitos, etc...

Vou mentalizar isso toda noite antes de dormir... quem sabe eu consigo.

(escrito dia 04-01-2007)

Brincadeira de Criança

Todos que têm mãe sabem da atração que elas têm por produtos e eletrodomésticos inúteis. Na verdade estou sendo radical demais. Todo produto feito para um propósito possui um propósito (por definição) no ajudar a população mundial (de mães) no seu dia-a-dia. Não que os pais não tenham coisas inúteis, eles realmente possuem... se não são eletrodomésticos, guardam tralhas sem fim naquela casa de ferramentas ou na dispensa. Alguns itens são realmente comuns e porque não úteis como furadeiras sem fio (para pessoas que não saem de casa); a Mangueira Roll Water Hose que não enrola (para quem não tem jardim); geradores à gasolina para cidades onde não falta luz há anos...

Os exemplos podem ser infinitos...

Entretanto, o que parece que poucas pessoas percebem é que elas não precisam de 99% destes produtos. Não que eles não vão ajudar em algo, mas que todos podemos viver sem eles perfeitamente.

Ora, isto parece um eco das brincadeiras que tínhamos com nossos amigos imaginários quando éramos crianças. Escolhíamos os brinquedos heróicos com seus personagens com real convicção de que eles se moviam e faziam tudo que estava em nossas cabeças.

Procure na sua casa coisas inúteis e pare de brincar como criança.

Bom, vou parando por aqui... Está na hora de meu programa favorito no shoptime.

abs.

(escrito dia 03-01-2007)