domingo, 21 de dezembro de 2008

Ateu, eu?!

Este texto de um querido amigo resume de inigualável forma o que penso a respeito do assunto. De maneira objetiva e muito bem humorada Marcelo conseguiu satirizar com sucesso uma questão importante em nossa sociedade. Todos os créditos a ele. Vale a leitura.

"É triste notar o quanto os ateus são discriminados. Tal preconceito fica evidente nas mais diversas situações. Experimente se declarar ateu no primeiro jantar na casa de sua namorada. No mínimo não lhe servirão a sobremesa. Candidate-se a prefeito de sua cidade e deixe escapar que é ateu. Nem sua mãe votará em você.Devido ao preconceito, essa classe, que é muito maior do que se imagina, acaba por se fragmentar. Muitos se escondem atrás de declarações vazias:

- Eu não tenho religião, mas acredito em Deus.


Ou pior:

- Eu acredito numa força do bem.

Fenômeno parecido acontece com outros segmentos marginalizados.
Alguns negros quando perguntados sobre sua cor respondem moreno ou pardo; já pobres se definem classe média. É uma maneira de se excluir dos excluídos. Para levantar a auto-estima dos ateus mencionarei algumas de nossas características típicas:

Como qualquer outro indivíduo, o ateu se depara com mistérios e
perguntas sem resposta. São questões filosóficas, logo abertas, nas quais ele pensa. A diferença é que todas as explicações lhe parecem simplórias e furadas, ou seja, não é fácil convencer um ateu.

Como qualquer outro indivíduo, o ateu sente culpa. A diferença é
que essa culpa é oriunda de sua consciência e senso de justiça. Se um ateu é bom, isso não se deve a nenhum interesse de alcançar vida eterna ou outra recompensa divina, mas sim de sua preocupação com o outro. Resumindo somos mais conscientes e menos interesseiros.

Por falar em vida eterna, dia desses um amigo tentava me convencer da existência do céu. Resolvemos por fim apostar, sendo que levei clara desvantagem: se eu estiver certo, não vou poder zombar dele depois de morto.

Levei um tempo para entender quando me disse que de
qualquer maneira não nos encontraríamos. Segundo ele devido ao meu ceticismo, não tinha lugar para mim no céu. Como só existem duas possibilidades, adivinhem o que me sobrou. Tentei apelar dizendo que éramos amigos mas não adiantou: "regras são regras" disse ele.

Nesse momento percebi mais duas virtudes dos ateus. Somos mais
igualitários e flexíveis. Na verdade percebi um privilégio. Não preciso conviver com a idéia de que meus amigos e entes queridos vão para o inferno. Depois de mortos, vamos todos para o mesmo lugar: o cemitério.

Já chega.
Em breve estarei vendendo camisas 100% ateu.
Um abraço e fiquem sem Deus.
Marcelo Tavares. "
(escrito dia 13-02-05)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Marquise

Os escritos das ruas são coisas particulares e muito interessantes. Não estou falando de autedores (aportuguesando. ..), cartazes ou placas de estabelecimentos, embora estas últimas por si só sejam particularmente lúdicas e talvez merecessem uma crônica só para elas. Na verdade me refiro a coisas mais populares e democráticas espalhadas por quase todos os prédios da cidade: as pichações.

Alguém conhece modo mais prático e eficiente de atingir milhares de pessoas sem custos publicitários? Acho que não existe. Através desse meio de comunicação, provérbios, contestações, manifestações contra qualquer pessoa podem ser feitas sem conseqüências ou repressões judiciais *.

Dia desses estava voltando para casa de ônibus quando minha atenção foi capturada por um dizer muito interessante na fachada de um prédio ao lado do Elevado Paulo de Frontin:

– O que você faria se não tivesse medo?

Este é um exercício interessante de fazer. Não subir na marquise do prédio para escrever isso, mas sim pensar no que faríamos se não tivéssemos medos, principalmente porque não fazemos isso com freqüência.

– Você tem medo de quê? – Essa deveria ser a primeira pergunta, pois devemos conhecer primeiro o nosso oponente antes de tentar descobrir como seríamos sem que ele existisse.

Aqui chegamos a um ponto bastante pessoal e amplo. Muitas pessoas responderiam que têm medo do Lula, Garotinho,.. ., outros diriam que têm medo da Mineração Rio Pomba Cataguases Ltda.,..., outros diriam de assaltos, traficantes; um agricultor poderia ter medo de chuvas em demasia para não perder a colheita, ou falta de chuvas para não perder o que fora plantado.

Já eu tenho um medo simples de lutar contra, mas trabalhoso para que ele não volte a me atormentar: tenho medo de ser inútil! Isto mesmo. Me preocupo com a utilidade de tudo o que faço, com o sentido das coisas feitas por mim e pelas pessoas que me cercam. Das preocupações referentes ao trabalho, obviamente me vejo de frente com as questões ambientais, embora não esteja preocupado em manter-nos aqui por muito tempo e sim fazer com que as outras espécies resistam a nós e continuem aqui depois que não estivermos mais.

Mais ai, a conversa cai para o objetivo de vida de cada um. E não vou discutir isso aqui. O meu objetivo é produzir; o dos outros não dá nunca direito pra saber, embora ache que o dos evangélicos da Renascer em Cristo seja de ser otário, bocó e trouxa.

Acho que no fim das contas se não tivesse medo assistiria todos os dias a seção da tarde depois da minha sesta...

E você?!

Abs.

* é provável que todos de nós já tenhamos vistos alguns exemplos mais conhecidos da fúria publicitária das pichações, como os dizeres: “XUXA É PUTA!” e o famoso “QUÉRCIA VEM AÍ”, ou ainda o polivalente “SÓ JESUS EXPULSA DEMÔNIOS DAS PESSOAS!” (que com umas duas vírgulas e um ponto pode ser escrito e lido de uma infinidade de formas, dependendo da interpretação do autor e do leitor).

(escrito dia 18-01-2007)

Que a escrita esteja convosco...

Vida de biólogo é difícil. Bom, pelo menos a minha é.

Não que a vida das outras pessoas não seja. Mas a do Biólogo, e porque não do cientista em geral, é bastante complicada.

Será que ninguém percebe que pensar é demasiado cansativo?

Transformar dados, muitas vezes números, em informação e traduzir isso em um sentido biológico é trabalhoso e requer total imersão de mente e corpo.

Um dia típico de um biólogo, ou de qualquer outro cientista, que esteja escrevendo algum manuscrito poderia ser resumido em:

Pensa, pnesa, psnea,.....pensa. .... escreve, evcerse, ecsvere.... pensa, pnesa... ect. E assim por diante...

– Mas o que você está escrevendo? Todos perguntam.

– Ah, meu mais novo manuscrito diz respeito à propensão aguda das patas elíptico-cônicas de um inseto de 2 mm de tamanho!

– Ah, tá..... Respondem.

Este “ah, ta” é o mesmo que: “O quê?!”; ou ainda “Pro... o quê?”; ou pior “insetos.... ah, sim... eu já vi um”. É sinceramente irritante quando as pessoas fazem esse tipo de observação quando você biólogo (ou cientista) conta com o que está trabalhando (obviamente com a empolgação característica de todo e qualquer cientista).

Conclusão: você escreve, evcerse, ecsvere, mas ninguém sabe o que você está escrevendo e nem pra quê.

E a facada no peito: Se você, cientista, ficar em casa trabalhando, é vagabundo! É isso ai, te reduzem a um simples "faz-nada" qualquer! Dizem na maior cara-de-pau que você não faz nada. Ora que atrevimento!

Dos desconhecidos nem ligamos. Dos amigos engenheiros, executivos estressados e médicos até entendemos. Mas o fim dos tempos está quando a família se volta contra nossa imersão no conhecimento.

Um dia desses (do ano passado) um amigo de laboratório contou-me que um dia sua esposa liga para casa (local de trabalho dele) e pede para que ele fosse ao supermercado comprar tomates secos porque estava na promoção.

– O que é isso?! Comprar isso agora?! Estou escrevendo.. . disse ele.

– Ah, querido... não custa nada, você está o dia todo em casa.

Realmente um desrespeito completo com o pesquisador que luta para que uma enxurrada de pensamentos produtivos, coerentes e inovadores saiam de sua cabeça e invadam o papel (ou tela do computador na era da informática).

A propósito, hoje tem "Os Goonies" na Seção da Tarde... alguém vai ver também?

(escrito dia 05-01-2007)

Re-“encarnação”

Se coisas lúdicas e fantasiosas como vidas passadas e vidas futuras fossem realmente possíveis, e se, além disso, pudéssemos escolher quem gostaríamos de ser, quem você escolheria? Que tipo de pessoa? Alguma personalidade em especial? Algum destaque mundial... inteligência fora do comum? Prêmio Nobel (se ainda existir...)?

Estive pensando hoje:

- Não gostaria de ser ninguém muito famoso; nem ser mega-inteligente; ou ainda, desejo menos ainda fazer alguma coisa de muito útil para toda a humanidade (não acho realmente que ela mereça), que mudasse realmente o mundo e a realidade desse mundo em que eu vivesse e a realidade das futuras gerações.

Fiquei pensando um pouco e logo descobri:

- Quero ser mentiroso! O maior mentiroso!

Parece ilógico, mas o maior mentiroso poderia transformar tudo o que você imagina ou jamais imaginou em realidade. Bastaria imaginação a ele.

Pensei logo:

- Com um pouco de lábia poderia convencer qualquer pessoa de qualquer absurdo que minha mente pensasse. Seria realmente bom... ah, e o melhor: Sem nenhum esforço!

Satisfeito de minha auto-descoberta fui tomar um copo d’água quando percebi o que possuía pensamentos realmente pouco ambiciosos em minha mente atual.

Com a mente mais mentirosa do mundo poderia me tornar num político bem sucedido, enganando todos os meus eleitores durante meu mandato, inventando mais de 10 mil obras e similares como produtos irreais de meu mandato imaginário; ou ainda, simplesmente aproveitar 55 dias de férias por ano, recebendo passagens aéreas, auxílios infinitos, etc...

Vou mentalizar isso toda noite antes de dormir... quem sabe eu consigo.

(escrito dia 04-01-2007)

Brincadeira de Criança

Todos que têm mãe sabem da atração que elas têm por produtos e eletrodomésticos inúteis. Na verdade estou sendo radical demais. Todo produto feito para um propósito possui um propósito (por definição) no ajudar a população mundial (de mães) no seu dia-a-dia. Não que os pais não tenham coisas inúteis, eles realmente possuem... se não são eletrodomésticos, guardam tralhas sem fim naquela casa de ferramentas ou na dispensa. Alguns itens são realmente comuns e porque não úteis como furadeiras sem fio (para pessoas que não saem de casa); a Mangueira Roll Water Hose que não enrola (para quem não tem jardim); geradores à gasolina para cidades onde não falta luz há anos...

Os exemplos podem ser infinitos...

Entretanto, o que parece que poucas pessoas percebem é que elas não precisam de 99% destes produtos. Não que eles não vão ajudar em algo, mas que todos podemos viver sem eles perfeitamente.

Ora, isto parece um eco das brincadeiras que tínhamos com nossos amigos imaginários quando éramos crianças. Escolhíamos os brinquedos heróicos com seus personagens com real convicção de que eles se moviam e faziam tudo que estava em nossas cabeças.

Procure na sua casa coisas inúteis e pare de brincar como criança.

Bom, vou parando por aqui... Está na hora de meu programa favorito no shoptime.

abs.

(escrito dia 03-01-2007)

Unhas Violetas

"O ano de 2007 promete!" ...
É o que muita gente deve ter falado no domingo, pouco antes da virada (palavra que por si só sugere mudanças também)...
Mas o que poucas pessoas sabem é que temos profissionais bem pagos e sempre atentos aos acontecimentos futuros da vida de todos...
Domingo percebi que existem pessoas realmente preocupadas com o bem estar dos outros na vida futura do "ano que vem". Vi isto numa das seções do Jornal O Globo que trazia as previsões para este ano (2007) que começou ontem. Crédulo que sou, fui rapidamente olhar a previsão para o meu signo (que momentaneamente tinha esquecido... ). Em poucos segundos li as sugestões para a virada do meu ano e fiquei extremamente satisfeito (vejam em anexo a previsão para gêmeos); percebi realmente que os acontecimentos e a virada do ano estavam sintonizados com júpiter, como profetiza o escrito. Aquela afirmação fez todo o sentido na minha cabeça, percebi a grandeza e sabedoria daquilo; além disso, notei que havia uma pequena, porém magnânima, dica que figurava ao final do 'futuresco' manuscrito; eu deveria usar unhas roxas (não sei qual a diferença para violeta) para que o ano de 2007 fosse bem sucedido.
Achei isso perfeitamente plausível, já que tudo estava conectado com Júpiter; tudo estava claro, não haviam impecílios. Fiquei convencido de que deveria seguir as recomendações.
Como não tinha esmalte rosáceo, peguei o martelo na maleta de ferramentas e fui feliz comemorar o melhor ano que virá na minha vida!
abs e feliz ano novo.

(escrito dia 02-01-2007)

Videogame

Esta semana aconteceu uma coisa que nunca acontece aqui em casa. Nossa diarista não veio porque dia 25 de dezembro foi segunda-feira. Por acaso este é o dia que ela sempre vem aqui; não dia 25, mas sim segundas-feiras. Resultado disso: a casa estava uma grande bagunça, e o pior era a pilha de roupas para serem lavadas.
O que fazer nesses casos?
Não tive outra opção... (não pensem que acovardei e levei os 200 kg de roupa para lavar na lavanderia).
Catei aquela miríade de peças de diferentes tipos, tamanhos e teor de sujeira e resolvi encarar aquele monstro branco de boca redonda que fica quase na área daqui de casa...
Sabia a teoria de como não permitir que ele (o monstro) mastigasse todas as roupas. Mas como todos bem sabem a prática é diferente, lavar roupa pode ser que nem futebol - uma caixinha de surpresas...
Olhei atentamente para a cara do monstro... nela dizia que ela tinha 13 opções de "mastigação"; escolhi a mais adequada para o teor de sujeira das roupas, o alimentei com sabão em pó e amaciante, nos devidos compartimentos indicados na testa do monstro.
Meia hora depois, veja só... uma grande quantidade de roupa limpa e como que por milagre nenhuma estava destruída...
Concluí que lavar roupa na máquina não é uma coisa perigosa, pelo menos pra mim, nem muito menos difícil... é comparável a um jogo para crianças de até 10 anos, os comandos são simples e a quantidade de opções possíveis também é bastante reduzida...
Lembre-se sempre que mesmo com o menor número de comandos você e eu somos capazes de fazer muita merda... então não descuide do monstro nunca...
Minha primeira tentativa foi bem sucedida... tenho manter a concentração para que a confiança de um início gloriosos não venha a botar o jogo a perder.

(escrito em 26-12-2006)