quinta-feira, 1 de outubro de 2009
A primeira causa
"A primeira causa
O propósito da ciência não é responder a todas as perguntas; sua missão é outra
Hoje, retorno a uma questão que parece boba, de tão simples. Mas talvez seja a mais complexa que podemos tentar responder. Tanto que, no meu livro "A Dança do Universo", chamei-a de "A Pergunta". Aí vai: como tudo começou?
O que complica as coisas é que pensamos sobre tudo como um encadeamento simples de causa e efeito: cada efeito tem uma causa que o precede.
Quando vemos uma bola de futebol voando, é porque alguém a chutou; se um carro passa na rua, é porque alguém está dirigindo; se a planta cresce, é porque consegue extrair nutrientes do solo e usar a luz solar como fonte de energia; se o Sol brilha, é porque em seu centro hidrogênio está sendo fundido em hélio, liberando quantidades enormes de energia; se o Sol existe, é porque uma nuvem de hidrogênio entrou em colapso há cerca de 4,6 bilhões de anos, atraída pela própria gravidade...
Se continuarmos nessa linha, terminamos, paradoxalmente, no começo de tudo, a origem do Universo. Se o Universo existe, "algo" o fez existir.
A primeira causa é o impulso inicial da criação. Assim ela tem sido vista desde que religiões começaram a tentar explicar o enigma da origem de tudo. No caso da religião, a estratégia funcionou bem: dado que deuses são entidades sobrenaturais, eles não vivem no tempo, tendo uma existência atemporal, eterna. Assim sendo, regras de causa e efeito, ou mesmo a mera aplicação do bom senso, não valem para divindades.
Uma vez que se aceita que algo pode existir fora do tempo e pode ter poderes absolutos que transcendem as leis da natureza, tudo é possível. Até a criação a partir do nada. No Gênese, Deus criou a luz e separou as águas da terra através do verbo. Segundo Santo Agostinho, que muito se preocupou com esse assunto, o tempo e o espaço surgiram com o mundo. Antes da criação, não havia o "antes", pois o tempo não existia. Outras narrativas de criação do mundo resolvem a questão da primeira causa de forma semelhante, postulando a existência de entidades divinas e, portanto, alheias aos vínculos temporais que tanto nos limitam.
E a ciência? Será que é possível resolver a questão da primeira causa de modo científico? Esse é um debate ferrenho que, infelizmente, entrava o progresso cultural da humanidade. Remete-nos a "guerras" inúteis contrapondo ciência e religião, como se a ciência tivesse como função substituir a fé religiosa, uma grande distorção.
Se as pessoas acreditam que a ciência é capaz de responder a todas as perguntas, incluindo a questão da primeira causa, elas se sentem justamente ameaçadas: parece que a ciência tem como missão "roubar" Deus das pessoas. De forma alguma: ao contrário do que muitos dizem, não é essa a missão da ciência. A ciência não se propõe a responder a todas as perguntas. E por um motivo simples: nós nem sabemos que perguntas são essas. Dado que jamais teremos um conhecimento completo da realidade, jamais poderemos construir uma narrativa científica completa.
Sempre existirão questões não perguntadas e não respondidas; e mesmo questões que nada têm a ver com a ciência. A escolha do que fazemos com essa nossa ignorância perene é pessoal: existem aqueles que preferem optar por ter fé em entidades sobrenaturais e existem aqueles que, como eu, preferem aceitar a simplicidade do não-saber. Não ter todas as respostas é a pré-condição para o nosso crescimento. Nesse sentido, mesmo se a ciência não resolver o enigma da primeira causa -e existem obstáculos complicados que ficam para outro dia-, prefiro continuar tentando e aceitar que, por ser humano, minha visão de mundo tem limites."
O prof. Marcelo não é tão radical no pensamento quanto eu, mas chegou a beliscar o assunto sem falar diretamente: o que poderíamos esperar de um mundo sem ciência, comandado puramente (porque parcialmente já é) pelos religiosos? Estaríamos na idade média ou pior, até hoje.
Precisamos de educação e não de religião, deuses ou qualquer fábula dessas para guiar nossas vidas. Se o desejo de todos é por histórias que alegram a mente, existem muitas interessantes escritas por Walt Disney, Tolken, dentre muitos outros...
Para continuar pensando...
Os mundos descritos, por exemplo, por Tolken são no mínimo absurdos no quesito realidade não é verdade?
"O Sr. dos Anéis" poderia ser resumido assim: um povo anão de pé grande e peludo, árvores falantes, orks, elfos com poderes místicos, um olho que vive numa chama e que quer dominar o mundo, magos cinzas e brancos... e o mais louco, um anel que tem vontade própria, que corrompe a todos, menos um anão de pé peludo que faz bolsas.
Para salvar o mundo e restaurar a paz o anão de pé peludo que faz bolsas tem que andar durante um ano, em companhia de um outro anão de pé peludo gordinho e um tanto quanto apaixonado pelo primeiro anão, guiados por uma criatura careca e pelada (que também era um anão de pé peludo) e jogar o anel dentro de um vulcão, quase inalcansável, no outro lado do mundo, o único possuidor de uma lava especial que será capaz de destruir o anel. Ufa!
Agora por que isso tudo? O anel que a todos corrompe é adorado e querido por todos porque é ele que dará o poder que o olho da chama necessita para subjugar todos os outros povos de todas as terras, pra depois viver num mundo sem graça que não terá mais nada para dominar. Parece meio sem propósito não é? Mas é uma história. Todos sabem que é mentira. É absurda, mas é para divertir, então está valendo.
Agora, vejam se encontram qualquer semelhança com questões fora da realidade.
Um homem nasce de uma mulher virgem. Ele acha que é filho de um ser dos céus, acredita ter sido enviado por ele para passar seus ensinamentos (dos quais nunca lembrou, caíram escritos do céu em uma pedra). Ele protesta contra os opressores da época e é morto em uma cruz, fica 3 dias morto e enterrado e depois volta a vida, passa um tempo 're-vivo' e depois vai para os céus.
Depois de ir para o céu, esse homem sem pai, encontra seu "Pai" e se torna um só com ele e um outro sujeito, que o colocou na barriga da sua mãe virgem, mas que não é seu pai. Se você murmurar coisas em sua cabeça, o homem sem pai e seu "pai" (que também é ele) ouvirá seus pensamentos e pode puní-lo. Mas disso você nunca fugirá, você nunca conseguirá parar de ser punido, porque você é um pecador desde que nasceu. Homem sem pai estranho esse que só pune os coitados dos outros homens com pais. Ele pode ouvir o pensamento de todos no mundo.
A mãe virgem do homem sem pai nunca morreu, mas foi para o céu com corpo e tudo (no mínimo, ela deve ter resolvido o problema de Santos Dumont muito antes,... ).
Pão e vinho se abençoados por outro homem, de saia, (que tem pais) transformam-se no corpo e sangue do homem sem pai de mãe virgem...
O que é mais absurdo?
As duas histórias são completamente absurdas. Qual a diferença então entre elas?
A segunda foi fortemente imposta às pessoas por 2 mil anos sob pena de morte aos que descordavam. E a primeira? Ah, essa foi escrita não faz nem 100 anos...
De qualquer forma, não quero convencer ninguém disso, até porque não vou a feiras de gibis ou similares, tentar convencer os marmanjos que é uma besteira se fantasiar dos seus heróis de quadrinhos preferidos.
O que é importante, e que o prof. no texto menciona, é a educação e não explicações fantasiosas, fábulas e histórias morais (ponto extremamente discutível) que explicam (ou tentam explicar) o mundo.
Com educação você aprende a viver bem, ser bom, ter valores morais ótimos e tudo mais, sem essa necessidades bobas de explicações fantasiosas.
Nunca saberemos tudo, a ciência nunca explicará tudo, muito menos os fantasiosos deuses...
Abraços.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Bichinho bonito
A requerente alega incompatibilidade com sua “liberdade de convicção filosófica”. Me pergunto: qual convicção é essa?
As pessoas da cidade estão cada vez mais se distanciando da vida normal, que envolve morte, dor e sofrimento de muitos, senão de todos em algum momento. Estão se fechando em uma bolha bactericida e idealista, e completamente equivocada, onde um famoso ditado popular parece ser mentalizado como um verdadeiro mantra:
O que os olhos não veem o coração não sente.
A noção de que os animais podem sofrer e sofrem me parece relacionada com os próprios medos e sofrimentos pessoais dessas pessoas. Talvez o medo do sofrimento e da dor cause esse sentimento de transferir seus pensamentos e seu temor para os outros seres. É como humanizar aquilo que não é humano, distorcer e atribuir sua visão de mundo a outros seres que não possuem seus “olhos”. Essas pessoas então advogam a favor do “Direito dos Animais”. Ora, novamente estamos atribuindo a seres não participantes da sociedade um atributo humano, social e democrata (se é que cabe esse termo aqui). Não é nem preciso discorrer extensamente sobre o fato disso ser novamente um equivoco.
Os ‘não-humanos’ não têm ou deveriam ter direitos se não têm deveres. Mesmo assim, isso poderia ser interpretado como um ato de barbárie meu, um retorno aos anos medievais, um engessamento de meu raciocínio. Poderia também ser interpretado como um engrandecimento desproporcional dos nossos direitos (humanos), como também animais, perante os outros. Poderíamos usá-los para qualquer fim sem controle ou regulamentação? Apenas de forma intuitiva, usando meu resquício instinto primata da savana, eu diria: Porque não? Entretanto isso me levaria a uma discussão sobre o sentido ou a validade da vida, sobre a qual tenho clareza que minha opinião é completamente distinta dos demais habitantes da sociedade em que vivo.
Retornando a temática principal, sou a favor de controle e regulamentação no uso e nas práticas empregadas em pesquisas científicas com animais. A própria ciência exige rigor e metodismo na hora de proceder em um estudo. Porque não controlar, padronizar e ditar regras para o uso dos animais? Além disso, a tônica da ciência também é de mostrar as informações, receber críticas e melhorar sempre. Nesse sentido, não haveria também razão para não discutir ou regulamentar questões relacionadas. O que não pode haver é a crítica vazia. A que nomeio isso? Àquelas críticas que apenas nos acusam de estarmos errados, mas não ajudam em nada no desenvolvimento, na melhora ou solução do que estamos fazendo ou propondo. Isso me parece sempre ser o caso das “sociedades protetoras, acolhedoras, ou qualquer outra coisa, dos animais indefesos”. “Métodos alternativos” sempre são citados, sem que esse quase bordão seja exemplificado realmente. Parece-me que estão sempre preocupados em reclamar porque “acham um absurdo tais e tais atos”, mas não param para desenvolver uma forma realmente alternativa para mudar o ato de que tanto reclamam. Esse tipo de crítica, porém, não ajuda em nada a ciência ou qualquer outra pessoa em qualquer outra situação.
Não sei se a jovem que entrou com a ação, patrocinada por um advogado ativista da ‘causa’, participa de alguma ONG ou é afiliada a alguma das sociedades protetoras de qualquer animal, mas é claro que ela parece estar preocupada em “salvar os bichinhos bonitinhos”, ou os ‘fofídeos’, como são apelidados. É interessante notar que todos esses animais que deveriam ser salvos só vivem em função de nossa própria sobrevivência. Todos os animais que comemos são criados apenas para isso. Não vivem mais livres na natureza, e na maioria dos casos nem poderiam, pois, na maioria dos casos, são provenientes de outras regiões do planeta e virariam casos de invasão biológica.
Concordo que a situação atual dessas espécies, de total ‘dependência’ do homem (se é que podemos falar nisso, como se fosse consciente por parte deles), é uma deturpação do que elas foram no passado. Com o passar dos anos o homem mudou o destino delas, e retirou sua liberdade em benefício próprio. Esse “crime” já prescreveu, e nem adianta reclamar disso. Também não adianta advogar a favor do ser “natural de todo ser” e que “todos os seres mudam seu ambiente e influenciam os outros seres que com eles convivem”. Tudo isso é fato, mas não mudará nada nessa discussão. O importante disso, ou o que deveria ser pensado, feito, ou advogado a favor seria da correta manutenção ou reintrodução dessas espécies em seu ambiente natural. Talvez fosse uma tentativa de restabelecer o que deturpamos no passado, se é que tomamos para nós a culpa desse “crime”.
Não consigo encontrar razões ou respostas coerentes para o seguinte:
Porque as plantas podem ser mortas e comidas e os animais não? Porque não existe uma “Sociedade Protetora das Plantas” com força política? Quais “direitos” os animais possuem que elas nem sonham em possuir?
Lutar para que as pessoas não comam o que criam é no mínimo, me desculpem a expressão, estúpido e infantil. Parece o mesmo argumento dos chamados “verdes” que querem “salvar o planeta”. O planeta não precisa ser salvo porque ele durará muito mais que nossa espécie sobre ele. Nós é que precisamos pensar e repensar sempre a nossa ocupação nele, pois dele dependemos para que o nosso tempo aqui não seja estupidamente interrompido por nossa própria ignorância. Os animais que são comidos não sabem que nascem para serem comidos. Nenhum deles teme morrer ou está preocupado conscientemente com a sua espécie. Essas são questões e medos nossos. Eles simplesmente vivem.
Além disso, ainda há incoerência grandiosa e inerente de todos os amantes dos animais: eles são mamíferos e, por isso, defendem majoritariamente os bichinhos mais bonitos, os próprios mamíferos. Não há como ser verdadeiramente amante dos animais e praticante estritamente ‘socialmente correto’. Somos responsáveis pela morte de milhares de animais todos os dias. Esses animais devem ser controlados para que nossa vida social em uma cidade com milhões de pessoas seja possível e que não existam epidemias frequentes entre nós. Um exemplo bem simples: ratos, baratas e mosquitos. A grande maioria das pessoas cresce e é educada a ter real pavor das duas primeiras criaturas e o governo faz campanha para que todos aprendam e pratiquem a chacina das larvas e adultos de mosquitos (principalmente os vetores da dengue). Eu realmente gostaria que alguma das filiações a favor dos animais fosse a favor dessas criaturas, rechaçadas e mortas sempre que possível por todos nós. Não acho errado que os matemos, porque são problema de saúde pública, e até o momento não existe controle mais eficaz que esse. Duvido que alguém se preocupe em matar uma barata.
Sem falar na indústria de cosméticos, farmacêutica, no desenvolvimento de vacinas, a engenharia genética e tudo que a ciência e a medicina conquistaram até hoje para que vivamos dentro da bolha bactericida, cresçamos distante das doenças e vivamos incríveis 80 anos em média. Concluindo, a luta a favor dos animais é arbitrária e focada em algo desimportante. Talvez fosse mais construtivo realocar toda essa força de vontade de agir em prol de reflorestamentos, da manutenção dos biomas nacionais, da educação e saúde para que nossa população cresça menos e precise que menos animais bonitinhos sejam mortos para alimentar nossa doentia explosão populacional.
Vamos fazer um churrasco?
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Massa estúpida controlada
É engraçado notar como são feitos os controles atuais de massa. Voltarei aqui a falar do meu maior inimigo (imaginário ou não, seja lá qual for a sua opinião a respeito): a Igreja.
Isso ai, está no singular mesmo, porque me refiro assim à todas elas. Como vivemos em um país em que a influência católica é ainda muito grande na população, infelizmente, meu exemplo de estupidez vira novamente a partir dessa instituição.
Hoje saiu no jornal impresso e na mídia televisionada a seguinte notícia:
"Deputado é afastado da função de padre por defender uso da camisinha. Luiz Couto também é contra a discriminação dos homossexuais. Proibição veio após declarações dele terem sido publicadas em um jornal."
E em entrevista ao jornal o arcebispo da Paraíba, dom Aldo Pagotto ainda disse:
“Lamentavelmente, declarações sumárias e ambíguas a respeito do uso de preservativos, união de homossexuais são posições diametralmente contrárias à orientação oficial do Vaticano. Isso é intolerável”.
Numa das únicas e raras vezes que um padre diz algo correto e realmente importante a cerca do assunto, ele é rechaçado. E não me venha falar que eu só digo isso porque é a minha opinião. Os especialistas em saúde dirão o mesmo. Quanto aos homossexuais... Porque eles não podem ser da maneira que são? Qual o grande problema com eles ou qual o grande medo que os religiosos têm deles? Isso ninguém consegue me explicar. Depois a minha intolerância com as religiões que é considerada ruim. E eu nem vou à televisão dizer que é um absurdo eles existirem! Também não consigo entender.
Ora, faça-me o favor. Intolerável é uma instituição que tem, infelizmente, o poder de influenciar milhões de pessoas ser veementemente contra o método mais barato e seguro de contracepção e de evitar a contração de doenças sexualmente transmissíveis. Essa posição atualmente é intolerável, incoerente, retrógrada, pra não dizer burra. As pessoas fazem sexo a qualquer momento. Qual o problema disso? NENHUM! O ideal seria uma grande ‘suruba’ o tempo todo! Por quê? Ora, sexo é bom!!! Precisa de mais algum motivo?!?!?
A grande massa é ignorante e não sabe discernir o que o ‘padreco’ fala para eles, seja sobre a criação do universo ou sobre como ajudar a vovozinha. Me incomoda e me revolta ver que a instituição que se diz filantrópica e de caridade queira, no final das contas, apenas o dinheiro e o poder que vem da credulidade dos seus fiéis, ao invés de orientar as pessoas de forma correta.
É engraçado também ver como o governo não proíbe esse tipo de divulgação de má orientação na mídia, pois o ministério da saúde vive tentando educar as pessoas, da forma correta, sobre as doenças sexualmente transmissíveis e os riscos e problemas causados por gravidezes indesejadas.
O argumento disso provavelmente vem do fato de que ‘todos tem o direito de possuir sua própria orientação cultural, religiosa, blá blá blá...’. O problema disso é: quem escolhe a sua própria religião ou filosofia de vida? Quase ninguém! Aqui no Brasil, as pessoas nascem e são levadas ao catolicismo por seus pais, que desde pequenos os levam à igreja pra assistir à missa. Você tem dúvida de que as crianças prefeririam continuar brincando a ir aquele local sacal onde não podem correr, gritar e serem elas mesmas? Eu não tenho.
Qual dessas crianças escolheu sua orientação religiosa? Nenhuma.
Então está errado desde o início. Neste sentido, o Ministério da Saúde, o Ministério Público ou sei lá mais quem deveria proibir e coibir esse tipo de desorientação, que no final das contas só gera mais problemas pro gorverno, que é laico, e que com isso só gasta mais dinheiro pra cuidar dos miseráveis, das meninas que tiveram problemas ao tentarem o aborto clandestino e por ai vai....
Qual a solução? Educação!
Com educação todos se respeitam e todos seguem a orientação de quem entende de saúde – médicos e profissionais da área –, e não de dogmáticos e crédulos em fábulas que não ajudam em nada a vida atual das pessoas.
Saudações (somente às mentes livres e pensantes)
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Laico
Só pra contar um causo...
No dia do casamento de dois amigos de ‘quems’ fui padrinho, eu havia chegado cedo e já os aguardava na igreja, conversando com outra amiga. Eis que do a quem do além, surge quem?!? Uma beata! Logo pensei:
“Fu...! Lá vou eu ter que escutar um ‘blá, blá, blá’, ou pior, ela quer me converter.”
Para minha sorte (e dela também) ela era muito educada e simpática (uma vovó muito legal). Porém, queria que nós assinássemos um abaixo assinado para que o ensino religioso fosse institucionalizado nos colégios municipais, assim como a ‘excelentíssima senhora ex-governadora’ Rosinha ‘Marotinha’ fez nos Estaduais. Aliás, ainda me pergunto: isso está ainda valendo? Nenhuma pessoa sã da justiça vetou isso não?
Antes que vocês sintam pena da senhora, fiquem tranquilos, fui muito educado com ela, à altura do terno e da gravata que eu usava no dia. De qualquer forma, a melhor coisa foi a cara de espanto dela quando lhe falei que eu era terminantemente contra essa idéia. Ela me perguntou o porque disso. Eu a respondi que os colégios do governo deveriam ter ensino laico, e que as famílias que assim desejassem que arcassem com a responsabilidade de ensinarem alguma ou nenhuma religião a seus filhos.
Disse ainda que o ideal seria que cada pessoa escolhesse depois de uma certa maturidade intelectual (que penso acontecer depois da ‘aborrecência’) o que deseja seguir ou não, sem que haja imposições de dogma às crianças, criaturas intelectualmente frágeis e influenciáveis.
Pedi desculpas por não poder atender ao pedido dela, e ela se sentiu satisfeita, saiu com um pequeno sorriso (acredito que somente pela minha educação ao explicar meus motivos), mas fiquei com a ligeira impressão dela ter claro em sua mente que eu era na verdade um maluco!!!!
Se ela é beata o suficiente para ficar pegando assinaturas na porta da igreja, imagino que o raciocínio dela esteja muito comprometido por sua ‘beateza’. E detalhe, assim como a Rosinha ‘Sapequinha’ deve ter defendido ensinamentos evangélicos nas Escolas Estaduais, essa senhora defendia o ensino religioso Católico. Qual o melhor? Quem tem razão? Imaginem se advogássemos a favor do ensino de Candomblé? Seria capaz de criarmos uma guerra não é? Mas não vou me ater nisso... claramente estão todas, elas, erradas.
O que a senhora não compreendia e o que a ‘malandrinha’ finge que não entende é que as pessoas devem escolher sua religião, filosofia de vida, etc., assim como escolhem as suas roupas que vestem, o carro que vão comprar, seus namorados, maridos, esposas e namoradas e outras coisas em suas vidas.
Se você sempre ‘engoliu’ os ensinamentos religiosos na sua escola, e se eles viraram verdade, nunca ou quase nunca (para os que percebem probabilidades nas coisas) achará algo de estranho ou errado neles, achará errado não ‘comê-los’...
Sugestão do dia: vomitem!!!
abs.
Baseado nas idéias dia 29-07-05.
Essa coisa de Natal
Vai chegando o mês de dezembro, o comércio vai se aprontando... muita gente nas ruas, muita gente sendo contratada para a febre de mais um Natal. Este ano não foi diferente.
Aliás, foi sim! Parece que mais pessoas estiveram nas ruas comprando, gastando e perdendo horas de suas vidas no inferno que a cidade se transforma nessa época. Mas não se preocupe, o inferno de que falo não é aquele do chifrudo, com chamas por todos os lados... é um bem melhor (se é que podemos considerar assim), de engarrafamentos não somente nas ruas mas dentro dos centros comerciais (as revolucionárias bem-feitorias dos shoppings na vida do pacato cidadão carioca).
Nesta época do ano todos renovam os seus votos de solidariedade, amizade, amor, dentre outros sentimentos louváveis, com os donos dos estabelecimentos comerciais. Ninguém se importa com o trânsito parado, horas de engarrafamentos e toneladas de poluição sendo jogadas no ar que respiramos. Afinal de contas é Natal ora bolas!
Chegando o dia, mais irritante que ser cobrado por não dar a caixinha do zelador, carteiro, entregador de gás, frentista, gari, atendente das lotéricas, etc., é assistir as incessantes reportagens com a participação “exclusiva” do Papai Noel em TODOS os shoppings da cidade, a todo o momento, durante todo o dia 24. Mas quem liga? Afinal de contas é Natal! E este é o “espírito Natalino”!
Renovando as esperanças todos são impelidos a desejar a todos uma boa noite, com muita fartura, felicidade e outros adocicados sentimentos natalinos. Como acreditar em um sentimento que só é aflorado após horas de farras consumistas estimuladas pela frondosa máquina “econo-capitalista” de bons flúidos? Acredito somente no William Bonner que não passa um dia sequer sem me desejar boa noite! Esse sim quer que eu durma bem...
Este ano farei diferente. Não desejo nada a você que lê essa estupidez aqui. Fique como está. Se estiver bem, pois bem, continue. Se estiver mal, lá pelo dia 27 volto a desejar tudo de bom pra você como sempre faço o restante de todos os dias de todos os anos.
Abs.
escrito dia 24-12-2007.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Sete Palmos
Compras de natal; compras de ano novo; dias das mães; dos pais; da consciência negra; do joanete curado... e por ai vai.
Todos esses dias e comemorações são muito importantes para a sociedade: ajudam muito a todos; principalmente a mover a economia.
É claro que todos podemos ter nossas tradições e/ou premissas, defeitos e/ou superstições, mas algumas são nitidamente estupidas. Embora isso possa parecer somente a minha opinião, não creio que seja. Tradições familiares e/ou pessoais são bastante pontuais e não costumam influenciar de forma incisiva a vida de outras pessoas. As tradições econômicas modernas já não são exatamente isso, não é verdade? Até que ponto elas influenciam a vida das pessoas, e se é de forma positiva ou negativa é discutível, como a maioria dos meus amigos (eu tenho certeza disso) irão dizer.
Portanto, salvo às estupidezes individuais e coletivas que podem existir em cada ritual, pagão ou cristão, semita ou pegelança, ou mesmo futebolesco, existem algumas campeãs disparadas.
Uma das mais idiotas são os cemitérios. Sim! Montes de concreto feitos para guardar ossos. Querem maior estupidez que isso? Difícil de encontrar. Mas, como muitos dos meus amigos dirão: é a crença ou ritual ou tradição de cada um...
Paciência então certo? Errado! Em nosso mundo atual, moderno, dinâmico e globalizado, uma cidade grande que se preza não deveria possuir cemitérios enormes no seu centro. Além de ocupar um grande espaço da cidade, que carece de espaço, para nada (gosto de frisar bem isso), aqui no Rio todos eles são mal conservados. São um espaço enorme jogado fora, que não serve de um espaço de lazer, não são parques agradáveis onde você poderia passear e nem tampouco trazem bem estar a ninguém... só aos mortos, mas isso também é discutível!
Além de tudo isso, como são 'administrados' pela máfia da Santa Casa de Misericórdia, duvido também que paguem impostos ou algum tipo de royalties pela concessão do duvidoso serviço. Mas nem vou me ater nisso...
Uma alternativa inteligente a essa burrice seria a cremação de todos os mortos: em uma Usina de eletricidade!
Sim, porque não?! A crise está ai. Muitas corpos são cremados e viram o quê? Cinzas? Também, mas grande parte vira CO2 na atmosfera. E o pior: à toa!
Enterrados nesses locais os corpos não servem para nada. Nem adubo viram. Aliás, esse seria o destino mais limpo de todos. Já pensaram em uma grande compostera cheia de bundinhas geladinhas?
Nos túmulos os corpos só apodrecem e apodrecem seus caixões (que duvido que sejam feitos com madeira certificada também). Se todos fossemos cremados e virássemos 'lenha' em uma usina certamente uma crise energética estaria muito mais longe do país ou das cidades grandes. Melhor: se tudo virasse adubo de áreas reflorestadas certamente encontraríamos um fim melhor ou uma utilidade para nós depois de mortos.
Não cabe a cidade compactuar com tradições de fundo religioso e estúpido (atualmente falando). Mais produtivo seria uma decisão e uma mudança de atitude frente aos problemas ambientais que estamos sofrendo e que tendem a piorar.
abs
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Todo dia
No fim de semana quebrei a rotina de trabalho que vinha praticando. Não que isso seja fácil. Não que definir, na minha vida, o que é trabalho seja fácil também. Mas o que era certo era que quebrar a minha ‘não rotina de vida’ era o objetivo.
É claro que a pulga (como chamo meu lado que não me deixa parar de trabalhar) não queria me deixar
– Não, dessa vez não.
Dessa vez a pulga da preguiça ganhou a batalha e fui pra Itaipuaçú (casa de praia é bom pra distrair a cabeça) e fiquei – perdão pela expressão – literalmente coçando meu saco enrugado (fenômeno provocado pelo tanto de tempo que fiquei dentro da piscina). O porquê disso? O porquê do quê? Rotina ou não rotina, eis a questão. Eu também me pergunto isso quase todo dia.
Era comum que eu pensasse:
– Ora, eu tenho uma vida de trabalhos rotineira sim. Pausa longa, pensamento foge, bate na lua e conclui: mas nunca me sinto realmente nela.
Todo dia planejo milhares de coisas para fazer. Pergunte-me se consigo? Claro que não. Ir para a academia, tomar banho, ir para a Universidade e ao laboratório, voltar para casa é o previsível de meus dias. Mas quando adentro o laboratório, parece-me que sou sugado pra outra dimensão, a da imprevisibilidade total. Sou capaz de sentir-me como um elétron lá dentro. Alguns dias, fazer as simples tarefas pensadas e planejadas é extremamente difícil. O motivo? Sim, é fácil de perceber ele. Muitas pessoas ao mesmo tempo, muitas perguntas, muitos pedidos, muitos textos que aparecem para serem lidos. Em alguns dias, você é capaz de conversar e fazer de tudo um pouco com todo mundo, menos as malditas tarefas planejadas. Seria essa uma nova rotina? A ‘desrotina’? Me pego autoquestionando também à respeito.
Resultado: todo dia é previsivelmente imprevisível. Por vezes a falta de rotina e a ‘desrotina’ me irritam, pois algumas coisas nunca são alcançadas com facilidade (principalmente as que estão nas estantes mais altas).
O lado bom disso tudo: as cobranças são menores; na universidade tive idéias maravilhosas e mirabolantes sobre os mais diversos assuntos; as conversas que hora atrapalham, hora me tornam uma pessoa mais culta e capaz de enxergar, entender e aceitar diferentes formas de olhares, rotinas e, quem sabe, ‘desrotinas’ da vida.