Este texto de um querido amigo resume de inigualável forma o que penso a respeito do assunto. De maneira objetiva e muito bem humorada Marcelo conseguiu satirizar com sucesso uma questão importante em nossa sociedade. Todos os créditos a ele. Vale a leitura.
"É triste notar o quanto os ateus são discriminados. Tal preconceito fica evidente nas mais diversas situações. Experimente se declarar ateu no primeiro jantar na casa de sua namorada. No mínimo não lhe servirão a sobremesa. Candidate-se a prefeito de sua cidade e deixe escapar que é ateu. Nem sua mãe votará em você.Devido ao preconceito, essa classe, que é muito maior do que se imagina, acaba por se fragmentar. Muitos se escondem atrás de declarações vazias:
- Eu não tenho religião, mas acredito em Deus.
Ou pior:
- Eu acredito numa força do bem.
Fenômeno parecido acontece com outros segmentos marginalizados. Alguns negros quando perguntados sobre sua cor respondem moreno ou pardo; já pobres se definem classe média. É uma maneira de se excluir dos excluídos. Para levantar a auto-estima dos ateus mencionarei algumas de nossas características típicas:
Como qualquer outro indivíduo, o ateu se depara com mistérios e perguntas sem resposta. São questões filosóficas, logo abertas, nas quais ele pensa. A diferença é que todas as explicações lhe parecem simplórias e furadas, ou seja, não é fácil convencer um ateu.
Como qualquer outro indivíduo, o ateu sente culpa. A diferença é que essa culpa é oriunda de sua consciência e senso de justiça. Se um ateu é bom, isso não se deve a nenhum interesse de alcançar vida eterna ou outra recompensa divina, mas sim de sua preocupação com o outro. Resumindo somos mais conscientes e menos interesseiros.
Por falar em vida eterna, dia desses um amigo tentava me convencer da existência do céu. Resolvemos por fim apostar, sendo que levei clara desvantagem: se eu estiver certo, não vou poder zombar dele depois de morto.
Levei um tempo para entender quando me disse que de qualquer maneira não nos encontraríamos. Segundo ele devido ao meu ceticismo, não tinha lugar para mim no céu. Como só existem duas possibilidades, adivinhem o que me sobrou. Tentei apelar dizendo que éramos amigos mas não adiantou: "regras são regras" disse ele.
Nesse momento percebi mais duas virtudes dos ateus. Somos mais igualitários e flexíveis. Na verdade percebi um privilégio. Não preciso conviver com a idéia de que meus amigos e entes queridos vão para o inferno. Depois de mortos, vamos todos para o mesmo lugar: o cemitério.
Já chega.
Em breve estarei vendendo camisas 100% ateu.
Um abraço e fiquem sem Deus.
Marcelo Tavares. "
(escrito dia 13-02-05)
domingo, 21 de dezembro de 2008
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