Vida de biólogo é difícil. Bom, pelo menos a minha é.
Não que a vida das outras pessoas não seja. Mas a do Biólogo, e porque não do cientista em geral, é bastante complicada.
Será que ninguém percebe que pensar é demasiado cansativo?
Transformar dados, muitas vezes números, em informação e traduzir isso em um sentido biológico é trabalhoso e requer total imersão de mente e corpo.
Um dia típico de um biólogo, ou de qualquer outro cientista, que esteja escrevendo algum manuscrito poderia ser resumido em:
Pensa, pnesa, psnea,.....pensa. .... escreve, evcerse, ecsvere.... pensa, pnesa... ect. E assim por diante...
– Mas o que você está escrevendo? Todos perguntam.
– Ah, meu mais novo manuscrito diz respeito à propensão aguda das patas elíptico-cônicas de um inseto de 2 mm de tamanho!
– Ah, tá..... Respondem.
Este “ah, ta” é o mesmo que: “O quê?!”; ou ainda “Pro... o quê?”; ou pior “insetos.... ah, sim... eu já vi um”. É sinceramente irritante quando as pessoas fazem esse tipo de observação quando você biólogo (ou cientista) conta com o que está trabalhando (obviamente com a empolgação característica de todo e qualquer cientista).
Conclusão: você escreve, evcerse, ecsvere, mas ninguém sabe o que você está escrevendo e nem pra quê.
E a facada no peito: Se você, cientista, ficar em casa trabalhando, é vagabundo! É isso ai, te reduzem a um simples "faz-nada" qualquer! Dizem na maior cara-de-pau que você não faz nada. Ora que atrevimento!
Dos desconhecidos nem ligamos. Dos amigos engenheiros, executivos estressados e médicos até entendemos. Mas o fim dos tempos está quando a família se volta contra nossa imersão no conhecimento.
Um dia desses (do ano passado) um amigo de laboratório contou-me que um dia sua esposa liga para casa (local de trabalho dele) e pede para que ele fosse ao supermercado comprar tomates secos porque estava na promoção.
– O que é isso?! Comprar isso agora?! Estou escrevendo.. . disse ele.
– Ah, querido... não custa nada, você está o dia todo em casa.
Realmente um desrespeito completo com o pesquisador que luta para que uma enxurrada de pensamentos produtivos, coerentes e inovadores saiam de sua cabeça e invadam o papel (ou tela do computador na era da informática).
(escrito dia 05-01-2007)
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