sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Laico

Só pra contar um causo...


No dia do casamento de dois amigos de ‘quems’ fui padrinho, eu havia chegado cedo e já os aguardava na igreja, conversando com outra amiga. Eis que do a quem do além, surge quem?!? Uma beata! Logo pensei:

“Fu...! Lá vou eu ter que escutar um ‘blá, blá, blá’, ou pior, ela quer me converter.”


Para minha sorte (e dela também) ela era muito educada e simpática (uma vovó muito legal). Porém, queria que nós assinássemos um abaixo assinado para que o ensino religioso fosse institucionalizado nos colégios municipais, assim como a ‘excelentíssima senhora ex-governadora’ Rosinha ‘Marotinha’ fez nos Estaduais. Aliás, ainda me pergunto: isso está ainda valendo? Nenhuma pessoa sã da justiça vetou isso não?


Antes que vocês sintam pena da senhora, fiquem tranquilos, fui muito educado com ela, à altura do terno e da gravata que eu usava no dia. De qualquer forma, a melhor coisa foi a cara de espanto dela quando lhe falei que eu era terminantemente contra essa idéia. Ela me perguntou o porque disso. Eu a respondi que os colégios do governo deveriam ter ensino laico, e que as famílias que assim desejassem que arcassem com a responsabilidade de ensinarem alguma ou nenhuma religião a seus filhos.


Disse ainda que o ideal seria que cada pessoa escolhesse depois de uma certa maturidade intelectual (que penso acontecer depois da ‘aborrecência’) o que deseja seguir ou não, sem que haja imposições de dogma às crianças, criaturas intelectualmente frágeis e influenciáveis.

Pedi desculpas por não poder atender ao pedido dela, e ela se sentiu satisfeita, saiu com um pequeno sorriso (acredito que somente pela minha educação ao explicar meus motivos), mas fiquei com a ligeira impressão dela ter claro em sua mente que eu era na verdade um maluco!!!!


Se ela é beata o suficiente para ficar pegando assinaturas na porta da igreja, imagino que o raciocínio dela esteja muito comprometido por sua ‘beateza’. E detalhe, assim como a Rosinha ‘Sapequinha’ deve ter defendido ensinamentos evangélicos nas Escolas Estaduais, essa senhora defendia o ensino religioso Católico. Qual o melhor? Quem tem razão? Imaginem se advogássemos a favor do ensino de Candomblé? Seria capaz de criarmos uma guerra não é? Mas não vou me ater nisso... claramente estão todas, elas, erradas.


O que a senhora não compreendia e o que a ‘malandrinha’ finge que não entende é que as pessoas devem escolher sua religião, filosofia de vida, etc., assim como escolhem as suas roupas que vestem, o carro que vão comprar, seus namorados, maridos, esposas e namoradas e outras coisas em suas vidas. É na verdade um "livre arbítrio" às avessas ensinar desde pequeno à uma criança um mito que explica o mundo de uma forma literária sem que elas tenham a capacidade de perceber que é apenas um mito. Resultado: O mito vira verdade na cabeça delas! O controle de massa, a lavagem cerebral, as ‘estupidezes’, está tudo feito e replicado aos montes. Uma situação idêntica seria a de ensinar uma criança desde bem pequeno a comer insetos. Quando ela crescer e perceber o que são os insetos e o que as outras pessoas comem e o que ela come, vocês acreditam que ela achará estranho e ruim comer insetos? Claro que não, não é verdade?! Ela sempre comeu insetos. Se acostumou com o gosto e com as patinhas ainda se mexendo na boca, antes das primeiras mordidas fatais.


Se você sempre ‘engoliu’ os ensinamentos religiosos na sua escola, e se eles viraram verdade, nunca ou quase nunca (para os que percebem probabilidades nas coisas) achará algo de estranho ou errado neles, achará errado não ‘comê-los’...


Sugestão do dia: vomitem!!!


abs.

Baseado nas idéias dia 29-07-05.

Essa coisa de Natal

Todo ano é a mesma coisa!

Vai chegando o mês de dezembro, o comércio vai se aprontando... muita gente nas ruas, muita gente sendo contratada para a febre de mais um Natal. Este ano não foi diferente.

Aliás, foi sim! Parece que mais pessoas estiveram nas ruas comprando, gastando e perdendo horas de suas vidas no inferno que a cidade se transforma nessa época. Mas não se preocupe, o inferno de que falo não é aquele do chifrudo, com chamas por todos os lados... é um bem melhor (se é que podemos considerar assim), de engarrafamentos não somente nas ruas mas dentro dos centros comerciais (as revolucionárias bem-feitorias dos shoppings na vida do pacato cidadão carioca).

Nesta época do ano todos renovam os seus votos de solidariedade, amizade, amor, dentre outros sentimentos louváveis, com os donos dos estabelecimentos comerciais. Ninguém se importa com o trânsito parado, horas de engarrafamentos e toneladas de poluição sendo jogadas no ar que respiramos. Afinal de contas é Natal ora bolas!

Chegando o dia, mais irritante que ser cobrado por não dar a caixinha do zelador, carteiro, entregador de gás, frentista, gari, atendente das lotéricas, etc., é assistir as incessantes reportagens com a participação “exclusiva” do Papai Noel em TODOS os shoppings da cidade, a todo o momento, durante todo o dia 24. Mas quem liga? Afinal de contas é Natal! E este é o “espírito Natalino”!

Renovando as esperanças todos são impelidos a desejar a todos uma boa noite, com muita fartura, felicidade e outros adocicados sentimentos natalinos. Como acreditar em um sentimento que só é aflorado após horas de farras consumistas estimuladas pela frondosa máquina “econo-capitalista” de bons flúidos? Acredito somente no William Bonner que não passa um dia sequer sem me desejar boa noite! Esse sim quer que eu durma bem...

Este ano farei diferente. Não desejo nada a você que lê essa estupidez aqui. Fique como está. Se estiver bem, pois bem, continue. Se estiver mal, lá pelo dia 27 volto a desejar tudo de bom pra você como sempre faço o restante de todos os dias de todos os anos.

Abs.
escrito dia 24-12-2007.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Sete Palmos

As tradições são interessantes, não é mesmo?
Compras de natal; compras de ano novo; dias das mães; dos pais; da consciência negra; do joanete curado... e por ai vai.

Todos esses dias e comemorações são muito importantes para a sociedade: ajudam muito a todos; principalmente a mover a economia.

É claro que todos podemos ter nossas tradições e/ou premissas, defeitos e/ou superstições, mas algumas são nitidamente estupidas. Embora isso possa parecer somente a minha opinião, não creio que seja. Tradições familiares e/ou pessoais são bastante pontuais e não costumam influenciar de forma incisiva a vida de outras pessoas. As tradições econômicas modernas já não são exatamente isso, não é verdade? Até que ponto elas influenciam a vida das pessoas, e se é de forma positiva ou negativa é discutível, como a maioria dos meus amigos (eu tenho certeza disso) irão dizer.

Portanto, salvo às estupidezes individuais e coletivas que podem existir em cada ritual, pagão ou cristão, semita ou pegelança, ou mesmo futebolesco, existem algumas campeãs disparadas.

Uma das mais idiotas são os cemitérios. Sim! Montes de concreto feitos para guardar ossos. Querem maior estupidez que isso? Difícil de encontrar. Mas, como muitos dos meus amigos dirão: é a crença ou ritual ou tradição de cada um...

Paciência então certo? Errado! Em nosso mundo atual, moderno, dinâmico e globalizado, uma cidade grande que se preza não deveria possuir cemitérios enormes no seu centro. Além de ocupar um grande espaço da cidade, que carece de espaço, para nada (gosto de frisar bem isso), aqui no Rio todos eles são mal conservados. São um espaço enorme jogado fora, que não serve de um espaço de lazer, não são parques agradáveis onde você poderia passear e nem tampouco trazem bem estar a ninguém... só aos mortos, mas isso também é discutível!

Além de tudo isso, como são 'administrados' pela máfia da Santa Casa de Misericórdia, duvido também que paguem impostos ou algum tipo de royalties pela concessão do duvidoso serviço. Mas nem vou me ater nisso...

Uma alternativa inteligente a essa burrice seria a cremação de todos os mortos: em uma Usina de eletricidade!
Sim, porque não?! A crise está ai. Muitas corpos são cremados e viram o quê? Cinzas? Também, mas grande parte vira CO2 na atmosfera. E o pior: à toa!

Enterrados nesses locais os corpos não servem para nada. Nem adubo viram. Aliás, esse seria o destino mais limpo de todos. Já pensaram em uma grande compostera cheia de bundinhas geladinhas?
Nos túmulos os corpos só apodrecem e apodrecem seus caixões (que duvido que sejam feitos com madeira certificada também). Se todos fossemos cremados e virássemos 'lenha' em uma usina certamente uma crise energética estaria muito mais longe do país ou das cidades grandes. Melhor: se tudo virasse adubo de áreas reflorestadas certamente encontraríamos um fim melhor ou uma utilidade para nós depois de mortos.

Não cabe a cidade compactuar com tradições de fundo religioso e estúpido (atualmente falando). Mais produtivo seria uma decisão e uma mudança de atitude frente aos problemas ambientais que estamos sofrendo e que tendem a piorar.

abs

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Todo dia

No fim de semana quebrei a rotina de trabalho que vinha praticando. Não que isso seja fácil. Não que definir, na minha vida, o que é trabalho seja fácil também. Mas o que era certo era que quebrar a minha ‘não rotina de vida’ era o objetivo.

É claro que a pulga (como chamo meu lado que não me deixa parar de trabalhar) não queria me deixar em paz. Ela deu-me bastante trabalho, fiquei me coçando, querendo ler alguma coisa, escrever algo, produzir, inovar, qualquer coisa. Mentalizei então:

– Não, dessa vez não.

Dessa vez a pulga da preguiça ganhou a batalha e fui pra Itaipuaçú (casa de praia é bom pra distrair a cabeça) e fiquei – perdão pela expressão – literalmente coçando meu saco enrugado (fenômeno provocado pelo tanto de tempo que fiquei dentro da piscina). O porquê disso? O porquê do quê? Rotina ou não rotina, eis a questão. Eu também me pergunto isso quase todo dia.

Era comum que eu pensasse:

– Ora, eu tenho uma vida de trabalhos rotineira sim. Pausa longa, pensamento foge, bate na lua e conclui: mas nunca me sinto realmente nela.

Todo dia planejo milhares de coisas para fazer. Pergunte-me se consigo? Claro que não. Ir para a academia, tomar banho, ir para a Universidade e ao laboratório, voltar para casa é o previsível de meus dias. Mas quando adentro o laboratório, parece-me que sou sugado pra outra dimensão, a da imprevisibilidade total. Sou capaz de sentir-me como um elétron lá dentro. Alguns dias, fazer as simples tarefas pensadas e planejadas é extremamente difícil. O motivo? Sim, é fácil de perceber ele. Muitas pessoas ao mesmo tempo, muitas perguntas, muitos pedidos, muitos textos que aparecem para serem lidos. Em alguns dias, você é capaz de conversar e fazer de tudo um pouco com todo mundo, menos as malditas tarefas planejadas. Seria essa uma nova rotina? A ‘desrotina’? Me pego autoquestionando também à respeito.

Resultado: todo dia é previsivelmente imprevisível. Por vezes a falta de rotina e a ‘desrotina’ me irritam, pois algumas coisas nunca são alcançadas com facilidade (principalmente as que estão nas estantes mais altas).

O lado bom disso tudo: as cobranças são menores; na universidade tive idéias maravilhosas e mirabolantes sobre os mais diversos assuntos; as conversas que hora atrapalham, hora me tornam uma pessoa mais culta e capaz de enxergar, entender e aceitar diferentes formas de olhares, rotinas e, quem sabe, ‘desrotinas’ da vida.